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sábado, 15 de agosto de 2015

Casamento de alemã com brasileiro na Alemanha

    Quando os termômetros na Alemanhalândia começam a esquentar, é chegada a hora dos pombinhos apaixonados oficializarem a união. Recebi um convite muito especial de um casal de amigos para a celebração do casamento em julho deste ano. Ela, uma pessoa tão simpática e amável que parece brasileira; ele com as mesmas qualidades, uma pessoa indiscutivelmente boa de coração.
    O casal tem uma história linda, se conheceram no Brasil na cidade de Extrema. Ela foi fazer um trabalho voluntário no orfanato onde ele morava. O romance deu tão certo que eles decidiram morar juntos aqui na Alemanha.
    Como ele veio na mesma época que eu, acabamos nos conhecendo no curso de alemão em Colônia. Os dois perdidos e assustados em um mundo que não era nosso. Não demorou muito para conquistarmos uma grande amizade. Foram muitas atrapalhadas, risadas, passeios e descobrimentos; parte da minha adaptação aqui neste país devo a ele.
    O casamento foi na cidadezinha que os pais dela residem e onde ela cresceu, fica do ladinho de Koblenz. A cerimônia religiosa foi em uma linda capela no alto da montanha. Aqui ao contrário do Brasil, os casamentos acontecem durante o dia, e a festa dura bem mais tempo, já que vira a noite (muito mais interessante não?). A capela era linda, e a mistura de convidados alemães com brasileiros me deixou emocionada. Na hora de trocar as alianças e fazer o juramento o noivo (brasileiro) falou para a noiva em alemão e a noiva (alemã) falou para o noivo em português. Foi a declaração mais linda e sincera que eu já vi. Os "ciscos" nos olhos não paravam de cair, e as lágrimas não se continham. Eu estava orgulhosa de ver meu amigo falando alemão e dando um sentido importante na vida. Durante a celebração teve coral e um grupo cantando, tornando tudo ainda mais lindo.



No final da cerimônia os convidados fizeram uma espécie de túnel com balões para os noivos passarem, ficou lindo! 


    Do lado de fora da capela foi feito o brinde para os noivos, tudo preparado e servido pela família da noiva. Todos permaneceram ali por um bom tempo conversando e interagindo uns com os outros. Nunca vi isso no Brasil, achei bem interessante para conhecer novas pessoas e até fazer novas amizades.
    Depois os convidados foram direcionados ao local da recepção, um restaurante as margens do rio, com uma vista espetacular para os vinhedos da cidade. A decoração maravilhosa foi TODA feita pelos noivos e a família. Diferente do Brasil, que pagamos horrores nesse quesito para ter acessórios imponentes e muita ostentação que não significam nada. Ali era nítido que tudo foi preparado com muito amor, e tudo com uma linda história por trás, o noivo pendurou os balões a noiva arrumou as mesas, as flores, a família ajudou em tudo que pode. O lugar estava agradável, lindo e muito aconchegante. 





Sentamos na mesa junto com os noivos :)



Tinha um espaço próprio decorado para os convidados fazerem fotos com aquela câmera que revela na hora e colarem em um álbum com dedicatória para os noivos.



    Depois da comida, o casamento foi uma sequência de lindas surpresas. Um grupo de amigos brasileiros do noivo apresentaram um teatro encenando a vida do Noivo no orfanado, e como ele conheceu o amor de sua vida. Teve apresentação de capoeira, truques de mágica e até dança das cadeiras.  Os mesmos amigos brasileiros entraram em contato com a família e amigos do noivo no Brasil que não puderam estar presentes no casamento e organizaram uma sequência de vídeos de felicitações para os noivos, foi tudo tão lindo que levou o casal às lágrimas, e mais uma vez caíram muitos ciscos em meus olhos. 



    Para a animação da festa teve uma banda de pagode de brasileiros e DJ, a noiva era mais brasileira do que eu, sabia a letra de todas as músicas e dançava muito bem.
    Os noivos estavam impecavelmente bem vestidos, e os convidados todos sem frescura e super confortáveis, quando comecei a reclamar de dor no pé vi que as alemãs já estavam todas de chinelos, e obviamente fiz o mesmo. Lembrei-me dos casamentos no Brasil onde convidados gastam absurdos alugando roupas, fazendo penteados e maquiagens, gastam com joias e acessórios caros. Aqui? Nada disso, somente a vontade de festejar um dia tão importante. (Saudade nenhuma do Brasil nesse momento).

Com a noiva
Com o noivo
    Teve um grupo de amigos que presentearam os noivos com uma viagem para o Brasil, mas esse presente foi entregue em forma de brincadeira, onde todos os convidados participavam, e não entregaram apenas as passagens e sim uma mala toda decorada com as passagens dentro. Achei incrível e muito criativo.
    Enfim, encho a boca para dizer que esse foi o casamento mais lindo e sincero que eu já fui na vida. Um casamento onde não só os noivos preparam o melhor para os convidados, mas os convidados também preparam lindas surpresas para os noivos. Desejo ao querido casal, toda a felicidade do mundo e que eles possam desfrutar de muitos momentos maravilhosos juntos.




- Quando o amor atravessa não somente um oceano, mas culturas e adaptações - 


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Reciclagem de garrafas e latinhas

    Aqui na Alemanha toda vez que compramos garrafas de água, refrigerante, cerveja ou outro tipo de bebida; pagamos um valor a mais pelo casco/embalagem, seja ela de vidro, plástico ou alumínio.
   Esse valor pago varia de acordo com cada tipo de embalagem. Por exemplo, uma garrafa pet de água você paga 0,25 centavos de Euros pela embalagem e 0,89 centavos pelo conteúdo.
     O valor pago pelo casco está sempre nas plaquinhas embaixo do preço, aqui eles chamam de "Pfand". Vem tudo certinho discriminado no cupom fiscal da compra.



    Depois de consumir o conteúdo, as garrafas vazias, devem retornar ao mercado e o dinheiro pago pelas embalagens é devolvido. Elas devem ser inseridas em "maquinas coletoras" que contam e imprimem o valor que você vai receber de volta. 
    Mas atenção, garrafas com resto de bebidas dentro ou sem rótulo (selo de troca) a máquina não aceita. Também não adianta trazer garrafas vazias de viagens decorrentes de países vizinhos. Isso só funciona aqui na Alemanha. 
    Para saber se a garrafa é retornável ou não, é esse o selo que ela precisa ter. Com exceção para garrafas de cervejas que não sei porque não possuem o selo, mas são aceitas.

     Depois de colocar todas as garrafas na máquina é só apertar o único botão que existe, que ela imprime um código de barras com o valor que você vai receber. Esse valor pode ser descontado da sua próxima compra ou pode ser pego em dinheiro no caixa.
Não existe número mínimo de garrafas para serem inseridas, você pode trocar apenas uma ou juntar e levar tudo de uma vez só.
    Também existem as embalagens que não cobram esse "Pfand" como alguns tipos de sucos, e embalagens de alimentos. Essas se colocadas na máquinas serão devolvidas na hora.
    Tentei fazer um vídeo da máquina funcionando:


    
    Depois de saber  dessa consciência toda do povo alemão com o lixo, você deve estar pensando que aqui na Alemanha não existem catadores  de latinha certo? Errado! Tem sim! Nos lixeiros de rua é super comum as pessoas jogarem os cascos vazios para não ter que levar até um mercado e trocar. Já nos lixos domésticos é bem pouco provável; já que este é todo separado para a reciclagem. Os catadores obviamente são poucos comparados com a grande quantidade que temos no Brasil. E em sua maioria são mau vistos pelos alemães.
http://www.stuttgarter-zeitung.de/inhalt.jugendrat-pfand-hat-mehrwert.95ac5d4a-9660-4c86-9f0e-041b90213ae2.html

    Andei lendo notícias na internet que existem projetos-pilotos para implantar as máquinas coletoras no Brasil também. Vamos aguardar! 





terça-feira, 29 de abril de 2014

Jeito alemão de ser

    Ontem eu estava andando pela cidade e observando o comportamento dos alemães; eles têm manias, um jeito de ser bem prático. O que na cultura deles é simples e óbvio, para nós brasileiros seria sinônimo de vergonha. Claro que também tem umas manias absurdas, mas me focarei apenas nas boas neste post:

  •  Todos andam com suas garrafas de água: E são garrafas grandes, do tipo 1,5 / 2 litros. Está sempre do lado deles, na rua, na escola, no trabalho. Por que ficar comprando garrafinhas de água na rua o tempo todo se você pode levar uma de casa? Muito mais prático e econômico.

  • Lanchinhos: Eu canso de ver pessoas no trem comendo cenouras, pepinos, alfaces, frutas e sanduíches. E não é só no trem, é na rua, no parque, em feiras, em viagens, etc. Se estou viajando em algum lugar e vejo alguém tirar um sanduíche enroladinho no papel alumínio, ou um saquinho com rodelas de pepino, já sei que se trata de um alemão. No começo eu levei um susto os vendo comerem legumes e verduras como se fosse uma fruta, agora acho tão normal e saudável. Imagine no Brasil uma pessoa comendo um PEPINO no ônibus, certamente chamariam o cidadão de louco! No Brasil comer salgadinho é bem visto e comida saudável é deselegante!

  • Ninguém fica trancado dentro de casa assistindo novela: Todo mundo fica na rua, caminhando, passeando, fazendo exercícios físicos ou compras. Não importa a idade, pode ser um bebê com três semanas de vida, no carrinho sendo levado pela mãe, ou um idoso com a ajuda de um andador. Os idosos, aliás, são os que eu mais admiro, andam de bicicleta e até de patinete. Já vi um senhor (chutando uns 90 anos) caminhando no centro aqui de Colônia com tubos de oxigênio amarrados no seu andador, e os caninhos que levam o oxigênio “plugados” no nariz.  Ele mal conseguia ficar em pé e empurrar o andador, mas estava lá se esforçando ao máximo. Isso que é força de vontade e determinação para aproveitar a vida.

  • Bicicletas e transporte público: Bicicletas, trens e ônibus são usados por todos por aqui, não importa a classe social. Sempre vejo homens elegantes de terno indo trabalhar de bicicleta, ou as garotas de salto alto e roupa de brilho, irem pra balada DE BICICLETA. Já imaginou isso no Brasil? Aqui até aqueles que têm carro usam o trem e o ônibus, é rápido, prático e você não fica trancado no trânsito em horários de pico. Claro que existe toda uma estrutura para isso, muitas ciclovias pela cidade inteira, e muitas linhas de trem e ônibus.
  • Sacolas no mercado: Aqui os mercados cobram pelas sacolinhas que você leva as compras, tem das mais baratinhas que custam em média 10 centavos e das mais caras que são mais resistentes que podem custar até 5 euros. Como alemão é um ser preparado pra tudo, nunca vejo eles comprando as benditas sacolas, eles geralmente vão fazer as compras com cestas de vime, carrinhos próprios e suas sacolas de todos os tipos, nunca esquecem. Os estrangeiros esquecidos que não querem gastar comprando, usam as caixas vazias que estão no mercado, é uma saída para quem não mora muito longe. Eu no começo sofri um pouco até acostumar, esquecia sempre as sacolas em casa; agora tomei por hábito deixar sempre duas de pano dentro da minha bolsa, não pesam e nem ocupam muito espaço.
  • Livro na mão: Alemães sempre estão lendo, em pé na estação, dentro do trem, no ônibus, no parque... Não importa o lugar, sobrou um tempinho eles “sacam” o livro da bolsa. No parque aqui na frente da minha casa tem uma pequena “biblioteca” (uma prateleira de vidro) onde você pega um livro pra ler e deixa outro no lugar para que outras pessoas possam fazer o mesmo. Não tem ninguém cuidando, você vai lá e faz por conta própria. É a verdadeira evolução do ser humano.

- Manias simples e práticas que ajudam no cotidiano -